Empresa envolvida em acidente com morte no palco da Shakira estava irregular, diz Crea

Funcionários tentam resgatar técnico atingido durante montagem de palco de show da Shakira A fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do ...

Empresa envolvida em acidente com morte no palco da Shakira estava irregular, diz Crea
Empresa envolvida em acidente com morte no palco da Shakira estava irregular, diz Crea (Foto: Reprodução)

Funcionários tentam resgatar técnico atingido durante montagem de palco de show da Shakira A fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) informou nesta segunda-feira (27) que vai autuar e multar a empresa MG Coutinho Serviços Cenográficos, para a qual trabalhava o operário Gabriel de Jesus Firmino, que morreu num acidente durante a montagem do palco da Shakira, na Praia de Copacabana. Os fiscais do Crea-RJ constataram que a empresa não tem registro no conselho para exercer atividades de engenharia nem responsável técnico. O conselho vem acompanhando a montagem do palco desde 7 de abril e estiveram no local novamente na manhã desta segunda-feira, a fim de levantar informações sobre o acidente que matou o operário, na tarde de domingo (26). “Com o objetivo de fiscalizar o exercício da profissão de engenheiro, o Crea-RJ já enviou ofício por 2 vezes à empresa Bonus Track, produtora do evento, mas não recebeu todas as informações solicitadas”, declarou. O superintendente técnico do Crea-RJ, Leonardo Dutra, ressaltou que a atividade técnica sempre é uma atividade de risco. “Somente com profissionais e empresas legalmente habilitadas podemos mitigar esses riscos”, disse. Shakira e Gabriel de Jesus Firmino Reprodução Relembre o acidente As investigações apontam que Firmino, morador de Magé, na Baixada Fluminense, foi imprensado entre dois elevadores quando estava fazendo um trabalho de solda em um deles. O serralheiro chegou a ser socorrido por integrantes da brigada de incêndio e levado para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, mas não resistiu aos ferimentos. Com o acidente no domingo (26), uma perícia foi feita no local. Na segunda-feira (27), uma perícia complementar foi realizada pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). O resultado deve sair em até 30 dias. A polícia deu sua versão sobre o que acredita ter acontecido para que Gabriel tenha ficado imprensado entre elevadores. “Ele estava soldando uma peça, um elevador estava baixo e o outro alto, e ele teria dado um comando para o outro operador baixar o equipamento. Ele acabou prensado ali entre os equipamentos”, afirmou o delegado Ângelo Lages, responsável pelas investigações. O acionamento dos elevadores é feito abaixo do palco principal, a 25 metros de distância dos equipamentos, que ficam na direção da plateia do show. A polícia tenta entender se houve um acionamento acidental ou se houve um erro no acionamento que causou o esmagamento da vítima. Segundo ele, o serralheiro estava dentro do próprio elevador enquanto fazia o trabalho de soldagem, o que fere normas de segurança. Os técnicos de segurança do trabalho deverão ser ouvidos pela polícia, que investiga se houve negligência: "A gente precisa entender se houve a inobservância de normas de segurança do trabalho. O serralheiro estava operando o elevador dentro do próprio equipamento, ele deveria estar do lado de fora para o equipamento ser movimentado", explicou.