Associação de Niterói recebe autorização para produzir cannabis medicinal

A AbraRio, em Niterói, conquistou o direito definitivo de cultivar cannabis medicinal para tratar pacientes com doenças graves sob prescrição médica no Rio...

Associação de Niterói recebe autorização para produzir cannabis medicinal
Associação de Niterói recebe autorização para produzir cannabis medicinal (Foto: Reprodução)

A AbraRio, em Niterói, conquistou o direito definitivo de cultivar cannabis medicinal para tratar pacientes com doenças graves sob prescrição médica no Rio de Janeiro. Divulgação/AbraRio A AbraRio, Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Medicinal do Estado do Rio de Janeiro, obteve autorização oficial para cultivo legal de cannabis medicinal nesta segunda-feira (21). O acórdão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que negou o recurso da União contra a decisão favorável à AbraRio, proferida pela 6ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), transitou em julgado nesta segunda-feira. Com isso, não cabem mais recursos no processo. ✅ Siga o canal de notícias do g1 Rio no WhatsApp A sentença do TRF2, originalmente publicada em março de 2025, confirmou o julgamento anterior da 3ª Vara Federal de Niterói. Com isso, a AbraRio garantiu o direito de pesquisar, plantar, cultivar, colher, manipular, transportar, extrair e distribuir compostos derivados de cannabis com fins medicinais, apenas para associados com prescrição médica. LEIA TAMBÉM: Anvisa define regras para cultivo e amplia acesso ao uso de cannabis medicinal no Brasil; veja o que muda Anvisa amplia uso da cannabis medicinal no Brasil Associação atende 4,5 mil pessoas Marilene Esperança, presidente e fundadora da AbraRio, conta que a luta pela legalização da cannabis medicinal começou dentro de casa. Seu filho, Lucas, foi diagnosticado com a Síndrome de Rasmussen e apresentou melhora após o uso de óleo de cannabis. A Síndrome de Rasmussen é uma doença neurológica rara e progressiva que provoca inflamação de uma parte do cérebro, geralmente em crianças. Pode causar convulsões frequentes, fraqueza ou paralisia de um lado do corpo e dificuldades de fala, aprendizado e outras funções neurológicas. Em 2020, a causa se tornou coletiva, e Marilene fundou a AbraRio, que hoje atende mais de 4,5 mil pacientes. "Receber agora a autorização oficial, depois da decisão de 2025, é uma emoção imensa", relata. "A AbraRio nasceu para ampliar o acesso, mas nosso trabalho não termina na entrega de um produto. Queremos acolher, orientar e estar ao lado de cada pessoa que chega até nós. Agora é arregaçar as mangas e seguir trabalhando para que mais famílias tenham acesso ao tratamento com dignidade, segurança e qualidade de vida", disse Marilene. Segundo a fundadora, a AbraRio é a primeira associação do Rio de Janeiro a conseguir uma decisão favorável sobre a produção de cannabis medicinal. No Brasil, é a segunda: a primeira foi a Abrace Esperança, associação de João Pessoa (PB), em 2017. Para Ladislau Porto, um dos advogados da associação, a autorização representa um marco histórico em meio a um período de instabilidade jurídica, decorrente da falta de "uma regulamentação que seja justa e acessível", segundo ele. "A planta [cannabis] ainda é muito criminalizada em nossa sociedade. Precisamos mostrar que fomos enganados ao longo do tempo sobre essa planta", afirma o advogado. Rio de Janeiro tem a primeira associação autorizada a plantar cannabis medicinal Divulgação/AbraRio Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma resolução com regras que permitem que empresas e entidades façam o cultivo da cannabis medicinal no Brasil. A medida permite que a planta seja produzida no país exclusivamente para abastecer a fabricação de medicamentos e outros produtos regulados pela agência. A produção deverá ser restrita ao teor de THC de até 0,3%, substância não psicotrópica, conforme estabelecido pela Justiça. *Estagiária sob a supervisão de João Ricardo Gonçalves