Advogada é suspeita de pagar propina de R$ 150 mil a delegado e ex-secretário para interferir em extradição de traficante

O holandês Gerel Lusiano Palm, de 38 anos, foi preso pela PF na Barra da Tijuca, nesta quarta-feira (7) Reprodução A Polícia Federal investiga a suspeita de...

Advogada é suspeita de pagar propina de R$ 150 mil a delegado e ex-secretário para interferir em extradição de traficante
Advogada é suspeita de pagar propina de R$ 150 mil a delegado e ex-secretário para interferir em extradição de traficante (Foto: Reprodução)

O holandês Gerel Lusiano Palm, de 38 anos, foi preso pela PF na Barra da Tijuca, nesta quarta-feira (7) Reprodução A Polícia Federal investiga a suspeita de que o delegado federal Fabrizio Romano e Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro, tenham recebido R$ 150 mil em propina da advogada Patrícia Falcão para interferir no processo de extradição do traficante Gerel Lusiano Palm. Nesta segunda-feira (9), o Supremo Tribunal Federal (STF) expediu mandados de prisão para serem cumpridos nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. O delegado Fabrizio Romano e a advogada Patrícia Falcão foram presos nesta segunda. Alexandre Carracena estava preso deste setembro de 2025. Agora, ele passa a ter um outro mandado de prisão. O traficante Gerel Palm foi preso em julho de 2021 por tentativa de homicídio, porte ilegal de armas e tráfico de drogas. Natural de Curaçao, Gerel chegou a ser procurado pelo DEA, órgão da polícia americana responsável pela investigação ao tráfico internacional de drogas. Delegado federal Fabrizio Romano, preso nesta segunda (9), no Rio Reprodução De acordo com as investigações, a advogada Patrícia, que representa Gerel, procurou por Carracena, em 2023, e teria oferecido o dinheiro para ele auxiliar no processo de extradição do criminoso. As investigações apontam que o ex-secretário teria utilizado de sua influência política para acionar pessoas para atender a advogada. Advogada Patrícia Falcão Reprodução Um deles, segundo a PF, seria o delegado Fabrizio Romano, lotado na Delegacia Previdenciária. Há suspeita de que o delegado teria pedido um adiantamento de parte dos R$ 150 mil. Romano também é suspeito de acessar o sistema da polícia e buscar acesso aos processos referentes a Gerel. A polícia ainda suspeita que o delegado Fabrizio tenha recebido pedidos de outros criminosos e poderia ter contato com Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, traficante preso junto com TH Joias. A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, criada em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal no âmbito da ADPF 635, a ADPF das Favelas. A iniciativa busca fortalecer a produção de inteligência e a repressão aos principais grupos criminosos violentos no RJ, com foco na identificação de conexões entre organizações criminosas e agentes públicos. Os investigados poderão responder, de acordo com o grau de participação, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Alessandro Carracena, ex-secretário de Esportes do RJ Reprodução TV Globo O que dizem os citados A defesa técnica de Fabrizio Romano informou que não teve acesso à decisão que determinou sua prisão. Já a defesa de Alessandro Carracena declarou que também não teve acesso ao processo e que seu cliente só foi ouvido depois de preso. Disse ainda que, do que se sabe até agora, trata-se de criminalização do trabalho de Carracena como advogado. O g1 procura pela defesa dos outros envolvidos no caso. Polícia Federal prende delegado da PF em operação contra esquema para favorecer traficante